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Chefes sobrecarregados são menos justos

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Dificilmente haverá uma empresa – mesmo entre aquelas que são regularmente consideradas “Melhor Local para Trabalhar” – em que não haja uma única queixa acerca do sentido de justiça por parte das chefias; em algumas o fenómeno pode mesmo atingir proporções dramáticas, que as transformam em locais de trabalho absolutamente tóxicos.

 

Contudo, a esmagadora maioria dos chefes reconhece a importância da justiça, quer agir de forma equitativa, e não falha deliberadamente neste propósito. O que se passa então? Porque é que pessoas normais, bem-intencionadas, adotam frequentemente comportamentos corrosivos junto dos seus colaboradores?

 

Um estudo recente publicado no Academy of Management Journal sugere que a explicação pode estar na sobrecarga de trabalho a que as chefias estão sujeitas. Por outras palavras: os chefes estão demasiado ocupados para se preocuparem em ser justos.

 

O tema da justiça na relação hierárquica tem sido abundamente investigado nos últimos 60 anos, e toda essa investigação aponta para a sua complexidade: o comportamento justo não é um ato isolado e dependente unicamente da vontade; pelo contrário, depende de um sistema complexo de interações entre múltiplos fatores de decisão e possibilidades de atuação. Dito de outro modo, ser justo exige tempo e esforço para ponderar de forma equilibrada todo um conjunto de fatores – caso contrário o que um colaborador considere justo para si pode significar uma injustiça maior para outros.

 

Assim, quando os decisores já estão assoberbados com uma multiplicidade de prioridades, pressionados por prazos e objetivos, podem ser levados a descurar os vários aspetos a considerar para tomar decisões justas em relação aos seus colaboradores, e optarem por soluções “menos más” mas que consomem menos tempo e energia a decidir.

 

O que fazer então para melhorar a justiça e equidade das decisões das chefias e, com isso, a satisfação e o engagement dos trabalhadores? A solução óbvia passaria por uma redução da carga de trabalho imposta aos responsáveis, mas as exigências do negócio tornam esta possibilidade pouco plausível… Uma alternativa será atribuir uma maior importância aos comportamentos justos nos critérios de avaliação das chefias, e valorizá-los pela positiva – por exemplo celebrando os casos exemplares.

 

Uma outra possibilidade, ainda, é colocar a justiça na agenda formal das preocupações e dar-lhe uma atenção deliberada. Uma grande multinacional farmacêutica, por exemplo, sempre que reúne o seu Conselho de Administração, encarrega um dos seus membros, rotativamente, de verificar se os colegas estão a comportar-se de acordo com o código de ética corporativo – e a justiça figura entre os seus princípios. No final da reunião, esse administrador dá feedback individualmente a cada um dos seus pares. A empresa aplica esta regra em todas as equipas e comités, de cima abaixo. Com o exemplo do topo e esta prática, os comportamentos vão inevitavelmente mudando no sentido pretendido.

 

Para saber mais:

Link: “Research: When Managers Are Overworked, They Treat Employees Less Fairly (Harvard Business Review Online)

 

 

 

 

João Paulo Feijoo

Partner

TalentShip - Human Capital Experience

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