A boa execução de estratégia exige o equilíbrio de 4 tensões.

Pôr uma estratégia em prática é notoriamente difícil. Na nossa experiência, o obstáculo principal à execução de estratégias é a dificuldade em equilibrar as tensões internas que caraterizam qualquer grande esforço de execução. Uma execução de estratégia bem-sucedida requer com frequência a orquestração hábil de forças opostas e de necessidades concorrentes. Existem, principalmente, quatro tensões centrais que os líderes precisam de equilibrar.

Tensão 1: Um resultado final inspirador versus um objetivo desafiador

 

A perceção de que o resultado final será algo inspirador é essencial para fazer com que as pessoas se comprometam a mudar; essa perceção pode ser criada por uma simples narrativa que articule não apenas por que razão a mudança é necessária, mas também como, uma vez implementada com sucesso, as pessoas passarão a sentir-se.

No entanto, são também necessários objetivos intermédios agressivos capazes de estabelecer uma orientação e desafiar as pessoas a dedicarem-se ao máximo. Entre os trabalhadores, um resultado final inspirador sem objetivos desafiadores provavelmente provocará a seguinte resposta: “Vou tentar e veremos o que conseguiremos”. Isto não é suficiente. Mas, ao mesmo tempo, objetivos desafiadores sem um resultado final inspirador podem gerar uma atitude cética e desconfiada, com os trabalhadores a interrogarem-se: “Por que motivo tenho de fazer isto?”.

Tensão 2: Controle hierárquico versus democratização da mudança

Quando numa empresa todos se sentem confortáveis para tomar decisões que podem resultar em mudanças, é criada uma energia palpável: as pessoas tendem a trabalhar mais arduamente, a oferecer mais ideias e a integrar-se melhor no processo de mudança. Pelo contrário, se todas as atividades resultarem de uma ordem vinda de cima, a empresa corre o risco de deixar dissipar toda a energia. Mas por outro lado, na ausência de um rumo traçado superiormente, a tentativa de mudança pode levar ao aparecimento de uma miríade de grupos de entusiásticos “agentes de mudança” correndo desordenamente em todas as direções.

 

 

Tensão 3: Desenvolvimento de capacidades versus pressão por resultados

Muitas estratégias exigem mudanças significativas no modo como uma empresa opera, suscitando a necessidade de a organização desenvolver novas capacidades. Porém, a pressão para alcançar resultados imediatos é normalmente tão intensa que a empresa pode ser obrigada a progredir com as capacidades existentes, correndo o risco de “perder o fôlego” a meio do caminho.

 

 

Tensão 4. Criatividade versus disciplina

A criatividade faz parte de toda e qualquer estratégia inovadora. O receio de que a disciplina reprima a criatividade pode levar os executivos a “deixar a criatividade à solta”. Na melhor das hipóteses, essa abertura pode trazer contributos e resultados não previstos e muito positivos; mas, em casos extremos, pode levar ao caos e à ausência de responsabilização pessoal pelos resultados. Na verdade, criatividade e disciplina não são mutualmente exclusivas — ainda assim, esta tensão pode ser a mais difícil de equilibrar.

Fazer com que a estratégia seja executada com sucesso requer um equilíbrio entre a obtenção de resultados a curto prazo e a implantação de mudanças fundamentais que exigem tempo. As empresas que conseguem equilibrar e fazer a síntese entre forças opostas têm muito mais probabilidade de pôr em prática estratégias bem-sucedidas e duradouras.

                         

                                                                                                                                                                                                               Artigo da Harvard Business Review